Coincidência ou destino ? Esta pergunta se posicionou no centro da minha vida documentada num livro em alemão a ser lançado, no qual não faltam momentos e questionamentos emocionantes. O encontro com Sarro e todas as nossas atividades em conjunto que se seguiram durante quase 30 anos também não foram coincidências.
São agora 50 anos da carreira artística de Sarro, e o currículo dele como também criticas de arte foram muitas vezes publicados em livros e jornais, assim estou me dedicando a documentar numa versão compacta a convivencia com Sarro e acontecimentos pouco sabidos durante as nossas jornadas.
Sarro nasceu destinado para ser artista, e já era bem conhecido na região de São Paulo, com talento e potencial enorme, extraordinário, criativo e esforçado, com um estilo próprio que ele mesmo desenvolveu, quando eu o procurava após ter comprado dois quadros dele. As minhas atividades não eram de arte, eram de informática e auditoria fiscal com enfoque em vendas e contatos de alto nivel, mas fiquei fascinado pela obra de Sarro. Achei o mestre quando do lançamento do seu primeiro livro referente à vinte anos da sua carreira artística em 1992 em São Bernardo do Campo, onde ele morava. Logo o Sarro me convidou para a sua residencia, casa decorada no exterior por um possante painel em alto relevo de concreto. Naquela época ninguém sabia ainda da importância que as obras em concreto e monumentos teriam no futuro da vida artística de Sarro. Fiquei conhecendo sua familia , esposa e dois filhos, e o acervo de pinturas dele nas paredes. Nossa amizade cresceu e ocupou mais o meu tempo. Os europeus residentes e os turistas gostavam muito de seus quadros, pelos temas brasileiros, as cores, a criatividade e o estilo como tambem por sua qualidade técnica, e organizei então uma exposicão na minha pátria, na Suiça.
Consegui já para o ano seguinte um espaço no meio do maior Shopping Center da Suiça, em Zurique, onde aos sábados passavam vinte mil pessoas. Numa parceria com a Companhia Aerea Suiça Swissair as obras de Sarro foram transportados emolduradas de São Paulo para Zurique. A exposição foi montada num circuito de paredes removíveis e podia ser vista todos os andares do Shopping Center. Graças aos conhecimentos de Sarro da lingua italiana e francesa ele soube se comunicar com admiradores e alguns compradores da sua obra. Ficou conhecendo meus familiares e o estilo da minha vida de combinar sempre o útil ao agradável. Assim, nós visitamos sempre as atrações turísticas das cidades e paises onde viajamos, em especial galerias e museus de arte. Sarro percebeu a minha dificuldade em passar na frente de uma bonita doceria sem entrar e apreciar algum doce, e eu tive que visitar tantas livrarias com ele para ele a procura de livros de arte, Sarro os folheava e as vezes comprava. Participamos depois anualmente da feira de arte em Genebra onde foram estabelecidos contatos importantes para a carreira de Sarro, entre eles com o fundador e presidente do Forum Economico Mundial e mais tarde com a ONU. A feira era em conjunto com o Salão do Livro e atraiu um número grande de visitantes. Encontramos lá o Presidente Sarney e o famoso escritor Paulo Coelho, entre outros.
Genebra é considerada uma das cidades mais internacionais do mundo, e esta região de fronteira entre a Suiça e a França possui um padrão de vida bem elevado, e acabou sendo um dos lugares de maior reconhecimento da arte de Sarro. Assim a Air France patrocinou uma exposição no Grand Hotel Concorde em Lyon, centro financeiro da França, e chegamos do Brasil com todo o conforto da Companhia Aérea e com os quadros emoldurados. Uma outra exposição na França aconteceu numa das mais belas galerias em Annecy, cidade linda, decorada com flores e bem turística, a uma hora de viagem de Genebra, à beira de um lago com bordas de grama onde no verão as mulheres tomam banho de sol vestindo bem pouca roupa. Evian-Les-Bains situada do lado francês do Lac Léman é famoso pela água mineral que se bebe no mundo inteiro, pelo cassino e por congressos internacionais. O prefeito da cidade que nos contou de ter um filho no Brasil ofereceu o centro de congressos para uma exposição de Sarro de duas semanas. Um banner de 5 metros estava pendurado no topo do prédio quando a grandiosa mostra foi inaugurada festivamente pelo prefeito, na presença de muitos visitantes e interessados. Na ocasião a prefeitura comprou um lindo quadro com tema de música para o seu prédio do conservatório de música.
No caminho para Nice visitamos antigos amigos de Sarro, e recuperamos alguns quadros que havia deixado em consignação à anos. Saint-Paul-de-Vence é uma pequena cidade medieval turística com vielas estreitas nas montanhas a pouca distância de Nice. É conhecida como cidade das artes, com muitas galerias de nivel elevado. O jazigo de Marc Chagall, um dos artistas mais famosos que passaram e viveram na cidade, se encontra no pequeno cemitério da cidade. Sarro também teve obras numa destas galerias como numa outra em Grasse, cidade conhecida pela fabricação das essências de perfumes da França.
Em duas oportunidades as obras de Sarro foram também expostas em Paris. A Embaixada Brasileira tinha uma galeria perto da famosa avenida Champs-Elissées, e conforme as palavras do então Embaixador Azambuja e dos funcionários da Embaixada, a exposição de Sarro foi uma das mais bonitas e mais visitadas de todos os tempos. Quando do acidente com a morte da Princesa Diana perto da Embaixada, Sarro elaborou um projeto fantástico em memória dela, um monumento com a Princesa sentada acima de um globo que era carregado por crianças, monumento este para ser instalado numa praça perto do tunel aonde aconteceu o acidente, mas infelizmente o projeto nao recebeu suporte político. Dez anos depois Sarro mostrou a sua então nova colecão de obras elaboradas especialmente para deficientes visuais e cegos num projeto inédito num famoso claustro medieval no centro de Paris. Esta exposição era patrocinada pela prefeitura de Paris. Passeamos várias vezes pela cidade, a pé e de carro, sempre tomando cuidados necessários para evitar batidas, como acontecem por lá frequentemente. Visitamos muitos monumentos, museus, galerias e as atrações turísticas diurnas e noturnas.
Sarro teve um amigo na Bélgica com esposa brasileira que nos convidou para ficar na residência deles perto de Bruxelas, e usamos o tempo para conhecer a cidade e procurar uma galeria para expor. Achamos uma das mais tradicionais galerias da
Bélgica, com mais de meio século de funcionamento, numa localidade privilegiada a poucas quadras da Grand-Place, o centro administrativo e turístico da cidade. A galerista, uma senhora já de idade, conhecedora de artes e expondo principalmente expressionismo, gostou logo no primeiro encontro da obra de Sarro, e desde então Sarro pertence ao grupo dos selecionados artistas da galeria. Sarro era sempre presente nas aberturas das exposições, ajudava a colocar os quadros nas paredes, ao terminar a exposição eu desmontava as obras para poder transporta-las no meu carro. Conhecemos bem todo o centro da cidade com os prédios maravilhosos na Grand-Place, e nunca deixamos de visitar uma passagem entre ruas chamada "Agora" onde compramos casacos de couro importados do Paquistão, pechinchando como acostuma-se fazer no Brasil. Viajamos por toda a Europa em carros espaçosos, e Sarro teve sempre muita habilidade para carregá-los, de forma a caber uma exposicão inteira, com parte dos quadros montados e outros desmontados. Sarro usou o tempo de viagens para desenhar e me advertia as vezes para tomar mais cuidado quando eu precisava frear no trânsito. Muitas vezes conversamos também, ou ele dormia. Ele publicou depois um livro de setenta desenhos para os quais ele adicionou textos escritos à noite nos hotéis. Viajamos muito na Alemanha onde existem quadros de Sarro permanentemente em várias galerias.
Na cidade de Kevelaer, lugar de peregrinação perto da fronteira com a Holanda, Sarro é conhecido por suas exposições sempre muito bem visitadas e apreciadas na galeria de arte no centro da cidade, assim como pelo monumento em concreto construído sobre o ciclo de vida na frente do hospital. Ademais, ele deu no teatro da cidade uma palestra sobre a sua fantástica obra na Basilica de Aparecida, como também a Via Sacra, na presença de bispos católicos,. Quando Sarro saiu da Santa Capela da Misericórdia, ele me contou da forte atração que sentiu lá dentro. O segundo livro de Sarro foi impresso na gráfica de um amigo em Kevelaer. A Igreja Catolica convidou Sarro para uma exposição no banco deles em Essen, organizou um banquete maravilhoso e comprou o grande painel em tres partes de Sarro intitulado "Liberdades de vida" para a sua sala de recepcão. Fomos convidados e hospedados para exposições em grandes centros de seminários da Igreja na Wolfsburg e em Hamburgo. Após a exposição numa renomada galeria em Braunschweig, cujo dono nos hospedou na casa dele, aconteceu a Exposição Mundial EXPO 2000 em Hannover. Houve em paralelo uma exposição de artes com o tema "Humanidade Natureza Técnica", na qual um dos quadros de Sarro foi premiado e considerado a melhor obra.
Chegamos por uma indicação na localidade de Klingenmünster onde encontramos a amiga Marianne com a familia e uma vinícola que nos hospedou inúmeras vezes e nos ajudou para exposições em suas instalações e em galerias nesta região. Desde então as garafas de vinho deles foram mandadas para várias exposições de Sarro, e ele pintou com muita fantasia desenhos e escreveu dedicatórias com caneta de ouro acima das garafas que foram vendidas ou dadas de presente. A Marianne ajudou ao Sarro a receber autorização para poder elaborar o seu maravihoso vitral para a igreja do mosteiro do seculo XI, um patrimônio tombado. Estivemos em duas das mais famosas instalações de produção de vitrais do mundo onde Sarro adqueriu o "know-how" desta
técnica para poder produzir este vitral e um outro que foi enviado para uma exposição no Japão.
Um amigo de Sarro com esposa brasileira comprou no lado da antiga Alemanha oriental um castelo no qual moravam 43 familias. Ele recebeu ajuda do Governo para a sua restauração e ficou surpreso de encontrar microfones escondidos dentro de paredes, e montou um restaurante com um espaço para exposições de Sarro. As vernissages durante anos eram sempre bonitas com música ao vivo até que o castelo numa noite pegou fogo por razões até hoje desconhecidas e queimou totalmente. Sarro e eu perdemos muitas obras, livros e catálogos que estavam lá estocados... No jardim de uma casa de juventude por perto, administrada por amigos, Sarro construiu um chafariz temático e deu também aula de pintura para adolescentes.
O conhecido festival do samba na cidade de Coburg que acontece anualmente com participação de milhares de brasileiros de toda a Europa, foi aberto em 2012 com uma exposição de Sarro. No meu discurso de abertura falei que normalmente as obras de artistas famosos valorizam muito após a sua morte o que deixou o público olhar para Sarro e sorrindo. Sarro ficou perplexo, após o assunto foi traduzido para ele.
Da Alemanha viajamos com uma coleção de obras até Bergen, a segunda maior cidade da Noruega, onde nasceu e viveu o conhecido compositor Edvard Grieg. O espaço da exposição era acima de uma loja com artigos finos para turistas, localizado nos famosas e tombadas Casas Hanseáticas, onde não era permitido de bater um prego nas paredes. Chegou a Embaixadora Brasileira de Oslo para o vernissage, e como autoridade diplomática ela teve direito a comprar bebidas alcóolicas para o evento sem pagar impostos que são bem altos nos paises nórdicos da Europa. O galerista aproveitou e comprou vinho para o ano inteiro e não deixou de vista o seu carro enquanto descarregava a sua valiosa compra. A exposição foi um sucesso, e o maior jornal da cidade citou Sarro pela primeira vez de "Picasso Brasileiro". Paramos nas idas e voltas em Copenhagen, na Dinamarca, onde Sarro também teve obras durante vários anos numa bonita galeria.
Por um relacionamento familiar meu tivemos também exposições na Eslovaquia. Uma parente minha ajudou a elaborar um catálogo em quatro linguas para a exposição no Palffy-Palais em Bratislava, um espaço maravilhoso de eventos, e agiu como co- curadora em exposições num teatro de Bratislava, numa galeria em Tvrdosin nas Tatras Altas e num Hotel famoso de cinco estrelas perto da fronteira com a Hungria. Dali atravessamos o Rio Danubio e fomos visitar a histórica cidade de Esztergom, onde apreciamos também um prato de Goulash original.
Por indicação e colaboração de amigos de Sarro e da Embaixada Brasileira, foi organizada uma exposição no Espaço Fernando Pessoa em Lisboa. Visitamos também Santarém, a famosa cidade de peregrinação Fátima e O Porto.
Numa volta ao mundo conheci uma familia australiana que me convidou a conhecer mais o seu pais, e visitando-os, aconteceram contatos com galerias de arte. Sarro
gostou da ideia, e assim foi marcada a primeira exposição numa galeria em Sydney. A logística de levar as obras nao era fácil, o caminho longe. Sarro teve de envernizar as molduras de madeira por dentro, e por causa delas as obras ficaram em quarantena na entrada ao pais. Molduras que faltavam eram dificeis de confeccionar, pois na Austrália as medidas estão em polegadas. Ficamos num hotel em Kings Cross com vista do quarto para a cidade inteira, e a galeria era por perto, a exposição um sucesso. Uma das mais conhecidas galerias de Sydney, a Wentworth Gallery, se interessou depois pelas obras de Sarro e as expôs e comercializou durante anos nas suas bonitas instalações muito bem localizadas no centro turístico da cidade. Numa folga de tempo até a próxima exposição em Melbourne conhecemos também os arredores de Sydney, e viajamos pela costa leste da Austrália à Brisbane, deixando obras em consignação numa galeria bem situada dentro de um Shopping Center. Alugamos um apartamento de frente para o mar em Gold Coast onde Sarro pintou uma tela grande de sua esposa que ficou maravilhosa. Ele gostou tanto de Gold Coast que mencionou o desejo de viver nesse canto para sempre. Passando em Canberra, a capital da Austrália, que lembra muito Brasilia, chegamos em Melbourne onde a sua exposição no Centro de Eventos Chapel Off Chapel, perto da pela moda famosa Chapel Street, era programada e admirada pelos visitantes. Uma segunda exposição aconteceu depois em outra galeria, aberta com grande público e na presença do Embaixador Brasileiro. Ficamos hospedados na casa dos amigos, e eles nos mostraram as belas atrações turísticas da cidade, entre elas o maravilhoso casino com água correndo no lado de escadas e com chamas de fogo no teto em certos horarios. Perth é uma grande cidade isolada na Austrália Ocidental, e já que eu sempre gostei dela, da vida diurna e noturna, da região dos Pinnacles com as estranhas rochas na superficie do deserto e de uma pequena igreja no Swan Valley, onde se pode introduzir uma moeda para o orgão tocar, procurei e encontrei uma boa galeria para expor. Além disso, um colecionador que mora em Perth, adquiriu até hoje nove obras de Sarro. Chegamos ao Aeroporto de Perth após quatro horas e meio de voo de Sydney. Quando eu estive no balcão para alugar um carro um policial se aproximou e mandou os passageiros colocarem todas as bagagens de mão ao chão. O cachorro ficou cheirando e parou latindo na frente da bolsa de Sarro. Ele estava apavorado, abriu a bolsa, e o policial tirou duas maçãs e correu, gritando "no appel, no appel". Ficamos sabendo que é proibido levar frutas de um lado para outro da Austrália, pois eles não querem receber as moscas dos outros. A galeria era pequena, mas com localização interessante no meio de casas de alto padrão e a galerista muita simpática e com bons relacionamentos. Após muitos anos eu trouxe as obras da Austrália de volta à Europa porque a logística era difícil e as despesas altas. Indo para a Austrália fizemos escalas e ficamos em Cingapura, onde existem galerias e passam colecionadores da mais alta categoria. Uma galeria no tradicional Raffles Hotel teve obras de Sarro expostas á venda como também a Opera Gallery, subsidiária de uma rede de galerias nas grandes e principais cidades do mundo. Preparamos na Austrália uma palestra de Sarro sobre a arte latino-americana que entrou na programação do Museu de Arte de Cingapura em colaboração com a Embaixada Brasileira. Assim Sarro ficou conhecido em Cingapura, e nós conhecemos bem a cidade.
Já que trouxemos a maioria das obras do Brasil para a Suiça, tivemos várias exposições na Suiça, como em galerias de Basel, Delémont, Moutier, Solothurn, na então famosa New York Gallery em Brugg, em Davos, Bellinzona e em Überlingen, na Alemanha, perto da fronteira Suiça. Sarro foi convidado duas vezes para participar no Forum Económico Mundial em Davos, e eu o acompanhei. O Forum organizou o transporte das obras em caixas de madeira assim como nossa hospedagem. Era interessante assistir como as caixas chegaram no Aeroporto de Zurique, e com que cuidado foram colocadas no caminhão para transporte à Davos. O WEF também imprimiu catálogos de cultura e os distribuiu a todos os participantes, apresentando Sarro e sua arte. A imprensa e a TV estiveram sempre presentes. Para o primeiro Forum em 1999 Sarro pintou doze grandes obras sobre crianças e elaborou uma quantidade pequena de esculturas de bronze com o titulo "The future is ours". Conhecemos políticos e pessoas da economia e cultura do mundo inteiro, assim como o Premier do Canada, Jean Chrétien, o escritor Paulo Coelho e o artista Suiço Hans Erni, já de idade. A Austrália ofereceu um excitante show de dança de aborígenes e um jantar com carne de crocodilo aos participantes. Para o segundo Forum em 2003 Sarro pintou um painel de oito metros de largura sobre a globalização, mostrando também as nações G-8 e G-20 com suas caracteristicas. O Presidente Clinton conversou conosco mais tempo, admirou a obra e prometeu ajudar Sarro para uma exposição nos Estados Unidos, mas a promessa não pode ser concretizada. O Presidente Lula nos visitou também sem mostrar orgulho de um artista brasileiro nesse lugar de destaque mundial. O painel foi mostrado e comentado nas TVs. O WEF pretendia comprar este painel para a parede de recepção no prédio matriz deles perto de Genebra. Já que é grande demais, eles compraram uma segunda obra sobre o mesmo assunto com cinco metros e meio de largura que está até hoje colocado num espaço maravilhoso e à vista de governantes, políticos e economistas de todo o mundo que os visitam.
Para expor nas instalações das Nações Unidas, na ONU em Genebra, era necessário um requerimento do Governo Brasileiro. A carta saiu logo após o pedido da ONU, cujos diplomatas estavam interessados na obra de Sarro e principalmente no painel de 8 metros. A exposição de Sarro no Palácio das Nações Unidas era num espaço grande, moderno e bem illuminado. O painel que Sarro pintou em memória dos 500 anos do descobrimento do Brasil foi mostrado pela última vez na Europa; O Museu Ralli em Punta Del Este, Uruguai que já tem 20 obras de Sarro em seu acervo, adquiriu mais esta para sua coleção. No vernissage discussaram o número dois das Nações Unidas e o Embaixador Brasileiro Luiz Felipe de Seixas Correia, que agradeceu ao artista Sarro pela maravilhosa exposição e o buffet oferecido. A exposição foi visitada por grupos organizados e por diplomatas. Os Russos felicitaram Sarro e sugeriram à ele pintar uma coleção de museu para expô-la na Russia. Dito e feito - Sarro pintou a Coleção "Força, Magia e Cores do Brasil", composta de 34 obras. Nela ele mostra a sua visão do Brasil contemporâneo. Denuncia problemas, como a violência, a miséria, o desmatamento e a corrupção, mas destaca também aspectos positivos, como a música, as belezas naturais e o esporte nacional.
Numa viagem à Moscou, eu consegui um bom contato com Zurab Tsereteli, artista famoso e conhecido em toda a Russia pelas suas pinturas e obras monumentais nacionais e internacionais. Ele é presidente da Academia de Artes da Russia e amigo dos governantes do país, assim também de Putin. Ele gostou de imediato da arte de Sarro e se manifestou escrevendo a mão uma matéria a respeito, e nos ajudou a conseguir exposições extraordinárias no Museu de Arte Moderna em Moscou e no Museu da Academia de Artes Finas em São Petersburgo. Elaboramos catálogos completos para ambas as exposições, em russo, inglês e português. Colocamos a dedicatória especial de Zurab Tsereteli logo no começo do catálogo, na lingua russa a cópia original. Chegamos com toda a exposição desmontada, as telas, chassis e molduras as duas horas de madrugada com a Companhia Aérea Swiss no Aeroporto de Moscou; Sarro vindo do Brasil e eu embarcado de Zurique. O chefe da fiscalização foi chamado e verificou o documento que obtivemos da Embaixada Brasileira e a enorme carga, mas após ter lido a dedicatória assinada pelo Zurab, ele logo deu sinal verde e as boas- vindas. Ficamos no Hotel Izmailovo, um complexo de hotéis com todas as facilidades para turistas. Tinha um buffet de café da manhã com tantas variedades e quantidades nunca vistas em nossa vida. Ademais um cassino no térreo e uma boate com lindas mulheres no quarto andar eram a disposição de turistas. A feira de artesenato e antiquidades bem ao lado dos hoteis chamou mais a nossa atenção. Montamos as obras e as colocamos nas paredes das bonitas salas do museu. Eles mandaram colocar um grande banner na entrada, e o vernissage contava com a presença do secretário de cultura da Embaixada e de Vasili Tsereteli, neto do Zurab, que hoje administra todos os projetos do seu avô. Quatro canais de TV fizeram reportagens, e teve um excelente público interessado e boa imprensa. Sarro queria ver as obras artísticas nas estações do mais belo metrô do mundo, e por isso visitamos quase todas. Apesar de proibido fotografei o Sarro dentro de uma das mais santas igrejas na praça vermelha, e um guarda observou, e eu foi expulso, mas com decência. Assistimos também uma apresentação de ballet no famoso Teatro Bolshoi. Para aproveitar mais ainda a estadia na Russia viajamos de Aeroflot num vôo de seis horas para Irkutsk, na Sibéria. Sarro levou material para pintar, e para isso a simpática diretora do maior hotel estatal ofereceu à ele uma das salas disponíveis. A presença de Sarro e sua obra chamaram muita atenção. Apareceram artistas de toda a região, dois canais de TV para gravar reportagens e colecionadores de arte que nos convidaram para a casa deles. Alguns compraram quadros do Sarro mesmo antes de ficaram prontos. O tradicional museu de arte de Irkutsk convidou Sarro para expor, mas pela dificuldade da logística e dos custos, nunca aconteceu. Eram trinta graus positivos no verão, fizemos amizades, conhecemos parte do Lago Baical, o maior lago do mundo, andamos um trecho com o Train Transsibiria, uma estadia perfeita e inesquecível. Após a volta a Moscou acertamos a viagem com uma grande van da Mercedes com um motorista russo para nos levar com os quadros montados ao museu em São Petersburgo. Na viagem não era possível conversar com o motorista, mas ele entendeu que Sarro precisava ir ao banheiro, e parou na borda de uma floresta. Já que não aceitamos, ele parou num outro lugar com um buraco na terra que nunca tínhamos visto algo parecido: Sobrou a floresta mesmo. A policia nos parou na estrada, observou a carga com desconfiança, mas a dedicatória do Zurab era sempre como um passe livre.
Chegamos ao Museu da Academia de Artes Finas, um grande e maravilhoso prédio de 250 anos de frente ao rio Newa. Um banner de Sarro de sete metros estava pendurado do lado de fora do prédio. As obras de Sarro completaram bem o luxuoso salão com pinturas coloridas no alto das paredes. No dia da abertura formou-se uma fila de pessoas para assistir uma introdução sobre a obra de Sarro num auditório, e depois foi cortada a fita inaugural para a exposição, e o vasto público invadiu o salão. Mais quatro canais de TV entrevistaram o Sarro. O quadro da Coleção sobre a corrupção fez sucesso - um dos repórteres filmou Sarro na frente do quadro e o perguntou o que ele achava da corrupção na Russia, e Sarro, preparado, generalizou o assunto. Nesta cidade turística visitamos os muitos museus e as mais conhecidas igrejas, e tivemos a oportunidade de assistir á única apresentação dos Rolling Stones na Russia, um espetáculo nunca visto antes. No final da exposição desmontamos os quadros, e voltamos num carro grande para o Aeroporto em Moscou e de lá para a Suiça.
O proximo destino para expor a Coleção de Sarro era o Palácio de Artes em Cracóvia, em 2010. Cracóvia é a cidade cultural da Polonia e uma das cidades mais turísticas da Europa. Viajamos com o carro totalmente carregado, com carga também acima do teto, e com a documentação necessária para passar pelas fronteiras. Este tradicional museu é moderno com salas a luz de dia, e desta forma a coleção e o painel sobre a globalização apareceram lindos nas cores originais. Além do ato da abertura da exposição, ela também foi palco da abertura do consulado honorário brasileiro em Cracóvia.
Viajei em 2013 para Beijing, capital da China, após ter conseguido contatos com os maiores museus. O diretor do Today Art Museu, um museu grande com três espaços, gostou da arte de Sarro, mas precisavamos muito tempo para estudar, pesquisar e acertar as condiçoes e a logistica da exposição que só pude ser marcada para 2016. Era muito mais barato mandar confeccionar chassis e molduras dos quadros na China e depois descartá-los, do que transportá-los. Não era possivel montar os quadros dentro do museu, e assim alugamos uma casa um pouco fora da cidade para ficar e trabalhar durante a nossa estadia. Elaboramos um catálogo em três linguas, substituindo o russo para o chinês, e foram adicionados 27 quadros grandes e especiais para esta exposição. O catálogo está em alta qualidade, impresso na China por um preço incrível. A trajetória de Sarro foi atualizada, e contém também uma critica de arte do curador Chinês Gu Zhenqing. Na viagem para Beijing as obras precisavam ser documentadas em detalhes por causa da alfandega chinesa, que verificou obra por obra na entrada e na saída do país. O prédio do museu era grande e alto, e o banner de Sarro, com nove metros quase no teto do prédio do museu, chamou muito atenção. A exposição foi em dois andares, em salas modernas e bem iluminadas, e os muitos visitantes como também os reporteres da TV Hong Kong que chegaram na abertura oficial gostaram muito da mostra do Sarro. Sarro e Sandra, esposa dele, que o acompanhou, visitamos a maioria das atrações turísticas em Beijing, e adoramos as muitas flores plantadas em lugares publicos, como também os grupos de pessoas organizados em praças públicas fazendo ginastica no ritmo de música. Tendo certa dificuldade com a comida chinesa ficamos clientes de um vendedor de rua que fazia na hora omelettes embrulhadas para comer na mão, e
achamos uma doceria única, que vive de vendas à estrangeiros. Visitamos várias vezes o famoso Distrito de Arte 798, um bairro grande e fechado com galerias nacionais e subsidiárias internacionais, lojas de antiquidades e souvenirs, restaurantes e muita arte e eventos. Sarro pintou quadros que deixamos em exposição numa das galerias mais conhecidas neste distrito. Através do contato e da amizade do curador Gu com a diretora do Changjiang Museum em Chongqing, conseguimos acertar o transporte da coleção de Sarro para este museu e uma fabulosa exposição para mais dois meses. Chongqing é a mais populosa cidade do mundo, no meio da China e de onde saem os trens para a Alemanha. É também ponto de saída para o Tibet. O centro da cidade é bem bonito, também a noite, quando as bordas do rio estão iluminadas e coloridas. O museu é grande, bem localizado e particular. O dono possui também um prédio por perto com um Tea House onde fomos convidados para almoçar. Grandes painéis anunciando a exposição de Sarro foram colocados na frente do museu e na rua, como também no salão onde teve a inauguração da exposição com centenas de pessoas. A TV estatal apareceu para fazer uma reportagem do evento. Crianças pequenas tiveram também o seu espaço e material para pintar telas, e Sarro assistiu a elas, e encontrou entre elas crianças com muito talento. Após o vernissage Sarro voltou à Beijing para pintar, e eu voltei à Suiça e estive presente de novo quando a exposição foi desmontada. Levei os cinco rolos de telas pesados para Beijing, e juntos voltamos à Suiça. Após a China tivemos mais duas exposições na Alemanha, no City Hall e no museu de Saarburg, numa cidade da Alemanha perto da França e de Luxemburgo. O salao do City Hall era grandioso, como também o vernissage com música ao vivo.
Seguindo os meus planos para levar a obra de Sarro para uma exposição individual no MOMA em Nova Yorque viajei em 2017 para a California e visitei là todos os mais conhecidos e maravilhosos museus desde San Francisco até Palm Springs e San Diego. Consegui contatos valiosos com curadores e diretores dos museus. A ideia era de expor num destes renomados museus na California e convidar curadores do MOMA para a abertura. Considerei necessária, e o Sarro concordou, uma atualizacao geral, temática e complementar da sua coleção de museu para ter uma chance de exito, mas ele não era disposto a isso. Ele começou a se dedicar mais aos seus projetos lucrativos de monumentos em concreto de grande porte para Prefeituras da região e de organizar eventos no seu museu. Assim ele ganha também a fama no Estado de São Paulo, mas perde a oportunidade de se consagrar o artista plástico brasileiro mais famoso do mundo.
A TV Berlin mostrou em 2019 a última exposição do Sarro na Embaixada Brasileira em Berlim, antes que o mundo fosse afetado pelo Coronavirus que paralisou nossas atividades. O conhecido escritor e critico de arte André Parinaud tinha razão e previa certo quando em 2001 chamou Sarro de "O Brasileiro Global". Sarro está em seu maravilhoso Museu e Memorial perto de São Paulo trabalhando em novos projetos, e eu não paro de ter novas idéias e contatos, mas não sabemos ainda se ou como vamos continuar com esta trajetória mundial.